Uma pesquisa liderada pela farmacêutica cearense Sacha Aubrey Alves Rodrigues Santos encontrou sinais de que compostos presentes na romã podem ter efeitos importantes sobre o sistema nervoso. O trabalho foi realizado na Universidade de Fortaleza, em parceria com pesquisadores da UECE e da UFC, e analisou o extrato da fruta em experimentos com peixe-zebra, um modelo bastante utilizado em pesquisas biomédicas.
Nos testes, os animais apresentaram respostas compatíveis com efeitos ansiolíticos, antidepressivos e anticonvulsivantes. O extrato também mostrou resultados considerados promissores em um modelo experimental usado para estudar alterações relacionadas à doença de Alzheimer.
A ideia agora é entender melhor quais substâncias da romã podem estar por trás desses efeitos, como elas agem no cérebro e se poderiam, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos ou terapias. Isso não significa que comer romã ou consumir seu extrato trate ansiedade, depressão, epilepsia ou Alzheimer.
Os resultados obtidos até agora são pré-clínicos e ainda precisam ser confirmados em novas etapas de pesquisa, incluindo estudos de segurança e, futuramente, testes em seres humanos. Mesmo assim, o trabalho chama atenção porque mostra como compostos encontrados em uma fruta comum podem servir de ponto de partida para investigar novas moléculas com possível aplicação na saúde neurológica.
Os resultados foram publicados na revista científica Pharmacological Research/ Natural Products e reforçam o potencial da pesquisa brasileira com produtos naturais na busca por novas abordagens terapêuticas.